Vanderlei cumpriu a promessa. Anunciou que o time seria ofensivo e eu, pelo menos, me senti ofendido pelo time. Mas é quase uma danação: escala-se o time para a promoção de imprensa, para a excitação da torcida e para a motivação de todos, e na hora dá tudo errado. Mesmo quando dá certo, a realidade nunca é igual à expectativa. Nenhum "ataque de sonho" anunciado na véspera funciounou como o anunciado, até hoje, no Brasil. Todos os ataques de sonho de que se tem memória ganharam essa classificação depois, na lembrança. Alguns até começaram a vida sob suspeição. Tostão e Pelé e Gerson e Rivelino no mesmo time não podia dar certo, lembra? Hoje sonhamos com um ataque como aquele.
O fato é que a notícia que o time vai ser mais ofensivo (com tudo que isso implica: gols, espetáculo, alegria, o verdadeiro futebol brasileiro etc.) geralmente é prenúncio de decepção. Existe uma tentação antiga que ronda os treinadores brasileiros, a síndrome dos dois centroavantes. Chega o momento numa partida difícil em que o treinador atira todos os planos para o ar e manda entrar o segundo centroavante. A lógica primária é botar mais gente dentro da área, e seja o que Deus e a bola espirrada quiserem. Significa o abandono da organização e de qualquer pretensão tática e poucas veze dá resultado. A escalação de um time "ofensivo" é uma espécie de racionalização da síndrome. O time já começa o jogo num clima de dois centroavantes, entregue à inspiração instantânea de cada atacante. Até agora ninguém, muito menos o jogador e o técnico, pode dizer qual era a função do Ronaldinho no jogo de quarta contra o Uruguai, por exemplo. Suas ordens eram de entrar em campo e ser ofensivo. Ninguém, aparentemente, lhe disse como.
Uma das obviedades do futebol, que nunca é demais repetir, é que o número de atacantes é um dado apenas jornalístico, pois dtermina como será publicada a escalação. O importante não é quantos na frente, mas como - a mecânica da chegada. E isso se combina, não se improvisa na hora.
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